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Treinador de Futsal, Graduado em Educação Física - UFMG, Especialista em Futsal e MBA em Gestão de Pessoas

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

A BANALIDADE DO ÓBVIO, E A DIFICULDADE DE PRATICÁ-LO....

Ao fim da temporada de 2015, avaliando os últimos quatro anos, processando informações e planejando o futuro, me vi instigado a compartilhar algumas experiências vividas. Como está descrito no Título parecem Banais, realmente, como várias coisas que olhamos e dizemos: ´´AH, ISSO EU JÁ SEI´´, mas não conseguimos transferir para a Prática do dia a dia.
Essa história começa em 2007, quando decidi realizar minha primeira Pós-Graduação. Com ´´Sede´´ de conhecimento fui para Londrina, onde o Prof. Wilton Carlos Santana (que hoje se tornou um Grande amigo)  organizava anualmente uma Especialização somente em FUTSAL (aquilo era um sonho). Ver os Maiores Treinadores da Modalidade dividindo seu conhecimento. E numa dessas aulas, Miltinho falou sobre ´´Próximo Instante´´ (me desculpe ele, se a nomenclatura ou interpretação não está condizente com o que realmente significa, mas posso dizer que me apropriei do conceito). E hoje o ´´Próximo Instante´´ se tornou um Princípio Ofensivo da minha Equipe, que de  alguma forma  tenta antecipar mentalmente, pensando no  instante seguinte, para que estejamos, na maioria das vezes, um tempo a frente da defesa.
Algum tempo se passou, a vontade de evoluir continuou presente. Surgiram outras pessoas no caminho (Treinadores do Minas, Prep.físicos) geraram outras discussões, apareceram algumas certezas, outras incertezas. Aquelas  ´´certezas caíram por Terra´´, surgiram outras Incertezas.
 Mas hoje, posso dizer claramente que não sou o mesmo e que sim, venho pensando a organização do treinamento um pouco diferente...
Na minha trajetória enquanto Treinador, fui criticado por parar o treino demais, consequência de um PERFECCIONISMO exagerado, que como qualquer coisa na vida, em uma dose grande ATRAPALHA. Lia-se muito sobre imprevisibilidade do jogo, aleatoriedade e outras características, mas era-se incapaz de permitir que as interações entre os Jogadores acontecessem (O que parecia Óbvio, era difícil praticar....). Interações essas que poderiam levar a EQUIPE a um outro ´´patamar´´ de coletividade. À um coletividade que nenhum TREINADOR é capaz de Planejar ou Controlar...O que hoje é uma CERTEZA para mim....
Pois bem, a Leitura e os Estudos sobre a Modalidade continuaram:
O Ensino dos Jogos Esportivos Coletivos sempre foram foco de Estudo, afinal, a Graduação foi realizada onde se mais Pesquisava isso no Brasil. E que de lá saíram Grandes Amigos, e Excelentes Profissionais (Marcelo Vilhena, Auxiliar Técnico e Coordenador da Base do Atlético Paranaense, Diogo Giacomini, Treinador do Sub-20 do Clube Atlético Mineiro, Ricardo Leão Andrade, Treinador da Equipe Profissional do Guarani de Divinipolis, entre outros....). E a convicção que se tinha era que as atividades deveriam ser SITUACIONAIS, ou seja, representar situações de jogo, para que os atletas pudessem passar repetida vezes por aquilo e ´´treinarem´´  a Tomada de Decisão em determinada situação..
Mas SERÁ que era SÓ isso???????
Hoje acredito que o que realmente faz diferença, é o momento seguinte a SITUAÇÃO treinada...
Claro que o treino deve representar situações que o Jogo exigem, mas uma EQUIPE será COMPETITIVA E CONSISTENTE, se ela souber se comportar após aquela situação. Pois, afinal por mais que você treine uma situação de Contra-ataque Insistentemente, qual será a EFETIVIDADE da sua EQUIPE ?
O diferencial é se ´´Reequilibrar´´ RAPIDAMENTE após determinada ação!!!!! Seja o término dela, uma finalização ao Gol adversário, ou a perda da Posse de bola por um erro (que faz parte do Jogo). Às vezes, treinamos insistentemente BOLAS PARADAS, mas o que realmente pode fazer a diferença é bater um lateral rápido e tirar vantagem daquela situação (que foi o INSTANTE SEGUINTE a algo que aconteceu no JOGO)
Isso tem que fazer parte do TREINO!!! Elaborar Atividades ou Situações de jogo, mas INCLUINDO sempre o MOMENTO SEGUINTE, o PRÓXIMO INSTANTE (aqui se tratando de EQUIPE, envolvendo a COLETIVIDADE, como que enquanto TIME, se comportarão).
Dessa forma, um treino de CONTRA-ATAQUE, não pode se encerrar ao fim dessa Situação, o Instante SEGUINTE tem que ser permitido ACONTECER, quer seja, um tiro de meta rápido da Equipe adversária, quer seja uma perda de posse e uma reorganização em diferentes espaços da Quadra para recupera-lá. (ISSO É TREINÁVEL, isso é o JOGO).Essa dinâmica permitirá  a formação de um  TIME CONSISTENTE, ´´ESPERTO´´, que saiba TRANSITAR de um MOMENTO para outro, que é o que  realmente fará diferença durante a partida.
 Portanto, estaremos treinando mais JOGO e menos Situações...


Tudo isso é muito ÓBVIO...
Mas você já tinha parado pra PENSAR nisso????

domingo, 27 de julho de 2014

Era uma vez o País do Futebol…..

 

 

E acabou a Copa 2014, e com ela um turbilhão de sentimentos, que com o passar do tempo tomam clareza.

Nasci  e cresci no que chamávamos País do Futebol, como qualquer outra criança brasileira andava agarrado a uma bola , jogava na escola, na garagem do Prédio, no quarto, no sítio da família, às vezes somente chutava bola no meu Pai, que era um grande incentivador (devo muito da minha paixão ao Esporte a ele). Assim como eu, vários da minha geração também viveram isso. Cresci, me envolvi com o Esporte, que hoje se tornou uma profissão e me deu oportunidades de viajar para outros Países.

Lá, pessoas que mal me conheciam se aproximavam e me respeitavam somente por eu ser Brasileiro e ainda Treinador, afinal estavam próximos ou em contato com alguém do País que era referência na modalidade.  E além disso, trabalhava com o Esporte por lá!

Apesar de rotineiramente ser tratado como um cidadão subdesenvolvido, por vir de uma nação com essas características, ainda sim era muito querido e admirado. Ser Brasileiro fazia uma enorme diferença!

E percebia que apesar dos problemas enfrentados por aqui, ainda sim tínhamos o nosso valor, éramos reconhecidos em algo!

Mas, o País do futebol perdeu sua hegemonia….

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Na última Copa, fomos uma BANDO de jogadores e não uma EQUIPE!

Sem entrar no mérito do nosso desempenho, até porquê acredito que a ´´tragédia´´ acontecida vai muito além do Campo.É necessário mais do que ´´`Pai´´ para que possamos formar uma ´´família´´, e essa ainda tem que utilizar de toda sua capacidade de interagir e de cooperação para resolver alguns problemas.

Afinal, o jogo é COLETIVO! Hoje quando se discute as formas de ensinar, a primeira coisa que se reconhece é que não se pode ensinar o Futebol como se fosse um esporte Individual (como se fazia antigamente) onde a técnica era o objetivo de ensino, mas o que se vê por ai é que se joga um jogo completamente individualizado por aqui, com esperanças em alguns jogadores que podem fazer alguma diferença e que não passam a bola para ninguém!!!!!!!!!! Um absurdo!!!

Mas, acredito que muito além disso, perdemos para o Planejamento, para a visão sistêmica, para a organização da Prática, para quem sabia para onde estava indo…O futebol Brasileiro está QUEBRADO!!!! E quando digo quebrado, em todos os sentidos que essa palavra pode representar!

E acredito que o desastre ocorreu também por tratar o esporte assim como outras coisas por aqui com uma visão ´´subdesenvolvida´´ e medíocre. Afinal, aqui somos condicionados a nos tornarmos mero reprodutores das informações, não somos estimulados a analisar criticamente, ou a aprendermos a ´´gerir processos´´. Não somos preparados para administrar e sim para sermos técnicos (técnico aqui no sentido de adquirir algum conhecimento especifico em determinada área)

O que me perturba é que o sucesso conquistado no esporte deveria contaminar outros setores e influenciar de uma forma positiva. E o que vejo é justamente o contrário, a maneira que lidamos com tudo a nossa volta vem influenciando o que tínhamos de melhor….

Nosso orgulho está ferido! Quando se fala de Brasil hoje se associa a que?

Talvez  a um viaduto que caiu, com a naturalidade de enfrentar esse tipo de problema como um fenômeno natural, como Tsunami ou um Furacão…

Hoje vejo o Futebol como a Política, e um jogo como um Programa Eleitoral….

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Excelência em Esportes Coletivos: Idéias e Questionamentos

 

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Edson Medeiros Filho, PhD.

 

Excelência em grupo não é fácil… Basta dizer que times repletos de estrela não são (e talvez “nunca serão”! ) garantia de vitória. E como diz o adágio por lá: “an expert team is not ‘necessarily’ a team of experts”. Logo, eu pergunto a vocês treinadores e líderes diversos: O que é mesmo liderança? Como você promove coesão de grupo? Você já ouviou falar de “shared mental models”? E como desenvolver eficácia coletiva (confiança de grupo)? Pensar e pesquisar respostas a estas perguntas pode auxiliá-lo(a) no desenvolvimento do seu grupo de atletas. Em poucas palavras, coesão de grupo gira em torno de união à uma tarefa e appreciação social mútua. Compartilhar responsabilidade com os seus liderados e prevenir “panelas” ajuda, e muito, na coesão de grupo. Shared mental models é “o tal” entrosamento que gera respostas rápidas, heurísticas... “on the fly”! Recursos tecnológicos e estímulo à comunicação (verbal e não-verbal) ajuda seus atletas a entenderem, “lerem a mente” um dos outros no campo de jogo. E confiança vem (principalmente) de sucesso; aka metas conquistadas. Por falar nisto, o que você sabe sobre estabelecimento de metas? Ok, elas devem ser de curto, médio e longo prazo… e além? Deixo mais interrogações que pontos finais mas repito, e agora explicito, a dica: excelência de grupo parece estar associada com coesão, shared mental models, e desenvolvimento de eficácia coletiva. Sugiro ler mais sobre estes três topicos (google it?!) e o meu contato segue aí embaixo… Merci!

 

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Brief Biographic Sketch – Edson Medeiros Filho, PhD.

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Edson Medeiros Filho possui graduação em Educação Física pela Universidade Federal de Minas Gerais (2005), mestrado em Ciências do Esporte pela Universidade Federal de Minas Gerais (2007) e doutorado em Sport & Exercise Psychology pela Florida State University (2012). Atualmente cursa pós-doutorado em Psychophysiology & Neuroscience no Behavioral Imaging and Neurodynamics Center (BIND) Center (University Chieti-Pescara (Itália) aonde analisa a performance de pilotos de elite de uma prominente escuderia de Formula-1. Dr. Medeiros Filho e autor e co-autor de vários artigos sobre Coaching, Expertise, e Measurement in Health & Social Sciences. Ademais, consultor certificado pela Association for Applied Sport Psychology, Dr. Medeiros Filho possui ampla expriência como “performance enhancement specialist” de atletas e artistas de elite. Curriculum Vitae - Lates, CNPq.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ataque x Defesa ou seria Defesa x Ataque

 

Nos últimos tempos, as formas de defender no futsal não mudaram muito, diferentemente do ataque que a cada ano aparece com algum princípio novo que gera dúvida para os defensores (seja movimentos de ataque, de goleiro-linha ou bolas paradas).

Inicia-se um período no qual as defesas devem buscar outras possibilidades para neutralizar esses artifícios ofensivos, pois  não é assim que algo complexo como o futsal evolui???

Bem, não se assuste ao ler os dois parágrafos acima, é óbvio que a medida que surgem novas coisas, tende-se a surgir novas soluções…..

Mas e ai? Onde estão elas?

Se pararmos para pensar há algum tempo, a grande novidade era defender zona, princípios que vieram de outros esportes como o basquetebol e que foram organizados de forma sistemática pelos espanhóis e por grandes treinadores brasileiros como Paulinho Cardoso com sua ´´indução´´  e Ferretti com seu ´´quadrante´´. Essas defesas tem suas qualidades e se diferenciam, principalmente, na atuação da primeira linha, e na ocupação dos jogadores na quadra em função da bola.

Os sistemas de ataques começaram a se preocupar com essa novidades e se preparam para enfrentar determinadas situações que em função da defesa apareceriam. As equipes com alta qualidade técnica conseguiam com sucesso, e às vezes, até mesmo sem uma estratégia organizada ´´quebrar´´ esse tipo de defesa, outras equipes sabiam até mesmo como fazer, mas tecnicamente não eram competentes para obter êxito.

Os anos foram passando e hoje percebe-se que a maioria das equipes voltaram a marcar de forma individual, e muitas delas completamente individual, ´´olhando no olho´´ do adversário.

Mas será que estamos regredindo? O jogo vem perdendo complexidade?

Essas perguntas não são tão simples de responder, porém é certo que marcar zona requer muito mais dos processos cognitivos, exigindo estar mais concentrado, comunicar mais. E que a forma que deve-se escolher para marcar não se leva em consideração a plasticidade, ou qualquer outro fator, mas a eficiência em não tomar os gols, desarmar e contra-atacar…..

E nos dias de hoje, as equipes vem cada vez mais voltando a defender individual, com poucas trocas, onde o jogo do 1x1 é fundamental para o desarme (não que não seja em outras formas de defesa)

Você deve estar pensando agora, isso tudo é muito complexo para minha realidade…

De forma alguma, compreender as formas de defender e conseguir adapta-las em exercícios é seu papel enquanto treinador…

Há pouco tempo fui convencido que no processo de formação o atleta deve experimentar as duas formas, obviamente começar individual, mas ainda nos seus 14, 15 anos saber como defender zona. Dessa forma, toda exigência desse tipo de marcação contribuirá para a evolução do atleta que terá mesmo jovem que  comunicar mais, liderar, cobrir, retornar e compreender que uma falha individual tem consequências graves para o coletivo.

Como tudo na vida, basta um desequilíbrio para se buscar novamente ao equilíbrio, os sistemas dinâmicos que nos cercam funcionam dessa forma. Espera-se que se criem novos sistemas, novas ideias que surpreendam a todos, para que os estrategistas comecem a pensar e refletir em como neutralizar a novidade eficiente (criar por criar não vale de nada)…..

domingo, 6 de maio de 2012

A consciêcia do inconsciente – O treinador dentro de quadra!!!

 

 

Segundo Damásio (2000), muitos dos comportamentos que manifestamos, assim como os pensamentos que nossas mentes elaboram são resultados de numerosos processos dos quais não estamos Cientes.

Esse mesmo autor afirma que o conhecimento adquirido através do condicionamento permanece fora da consciência e só se expressa de maneira indireta, ou seja, quando se executa uma tarefa. Exemplo disso é quando um atleta é perguntado como realizou tal ação e não consegue verbalizar, simplesmente diz: ´´peguei a bola e fiz´´.

Mas o que isso quer dizer?

Que aquela ação do atleta foi sem pensar!!!

Mas como assim? O jogo não é pensado? Então quer dizer que o que ele fez foi uma bobagem?

De forma alguma, ele simplesmente executou sem tomar conhecimento de todo o processamento da informação até a resposta, ou seja, aquilo já está AUTOMATIZADO!!!!

Dessa forma, isso só e possível devido à progressiva ´´libertação´´ dos recursos mentais. Isto é, o fato de necessitarmos de pouco ou nenhum exame consciente consituiu uma grande vantagem no desempenho rápido e eficaz dessas ações, uma vez que aquela ação será automática, liberando atenção e tempo para perceber outras coisas.

Mas então, para que serve a consciência, ou em outras palavras aquele aprendizado ´´formal´´????

Segundo alguns autores, a consciência serve para aumentar o alcance da mente. A consciência permite que o jogador descubra se a estratégia está correta, permitindo corrigi-la.

Então qual é a grande vantagem de tornar os movimentos conscientes em hábitos subsconscientes??

Pesquisas de autores portugueses verificaram que o processamento de informação de atletas inexperientes acontecem de forma sequencial, ou seja, leva-se tempo, e o dos jogadores experientes é em forma de cascata, não necessita que uma etapa acabe para começar outra, é praticamente tudo ao mesmo tempo, e obviamente mais rápido.

Assim tornar uma ação um ´´hábito´´  podem judar o cerébro a lutar contra o tempo, além de ter uma retenção maior dessa informação.

E como tornar os aprendizados formais em ações hábituais?

O primeiro de tudo é REPETIR, REPETIR, REPETIR e quando cansar REPETIR mais um pouco….

Mas só isso não é suficiente!!!!!!

Somente explicar o que deseja na prancheta, ou mexer imãs não vão fazer seus atletas a executarem de forma eficiente o que você acredita. É necessário que eles aprendam também de forma ´´incidental´´, ou seja, que aprendam por eles mesmos.

Exemplo disso, é quando quero ensinar algum princípio de jogo como o engajamento (que o handebol utiliza e é transferido para outros esportes coletivos de invasão).

O engajamento nada mais é que perceber a compactação da defesa em determinado espaço e o ataque ´´acelerar´´ o jogo para o espaço no qual ela não se encontra.

GRITAR nos treinos para mudar a bola de espaço, acelerar o jogo, etc; não vai faze-los a tomar essa decisão no jogo.

Mas treinar jogando com dois gols, um em cada lado no fundo da quadra pode!!!

Dessa forma, a defesa é ´´obrigada´´ a compactar e o ataque a perceber isso espacialmente e engajar para o outro lado…

Você poupa seus gritos …..e seus atletas futuramente vão achar que tudo isso está partindo deles….é um sinal que já está se tornando ´´hábito´´!!!!

Os gritos serão poupados, mas o treinador é um ´´catalisador´´ positivo desse processo, então corrigir, interferir, elogiar e faze-los refletir sobre suas ações é fundamental para o processo.

 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Entrevista ´´Pixote´´– ala do Krona/Joinville e da Seleção Brasileira

sorato e pixote

Entrevista Alexandre Rodrigues Canha (Pixote)

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Data de nascimento: 26/02/1987

Cidade Natal: Recife-PE

Principais títulos: Sul –Americano sub-20( ano de 2006) Taça Brasil sub 20( ano de 2007) , Copa América (2011) Bi Campeão Copa da China(2010 e 2011), Liga Nacional (2011), Super liga(2012).

Clubes que já jogou: São Caetano Futsal, Minas Tênis Clube, Santos Futsal e Krona/Joinville.

1)Pixote, como acredito ser curiosidade de todos que convivem com você, qual a origem do apelido ´´Pixote´´?Ele tem alguma relação com o futsal? R- Esse apelido veio ainda na minha infância, eu tinha sete anos quando começaram a me chamar de Pixote. Em recife, minha cidade, “pixoto” significa coisa pequena. Então começaram a me chamar de Pixoto e um amigo por brincadeira mudou e começou a chamar de Pixote, hehe. Com isso todos acostumaram a me chamar de Pixote e ficou até hoje.

2) Você apesar de experiente, saiu de casa muito novo em busca do seus sonhos, qual foi sua trajetória até o seu atual clube Joinville/Krona? R- Sai de casa quando tinha dezessete anos, por coincidência o primeiro time que joguei fora da cidade onde nasci e fui criado é a mesmo que estou jogando hoje. Isso aconteceu no ano de 2005, o time se chamava Joinville Futsal, hoje se chama Krona/Joinville. Depois de passar pelo Joinville, fui para São Caetano do Sul no ano de 2006 onde passei um ano. Já no ano de 2007 fui para o Minas Tênis Clube, onde passei quatro temporadas( 4 anos). Em 2011 me transferi para o Santos Futsal onde consegui o título mais importante da minha carreira, fui campeão da Liga Nacional de Futsal. Esse ano de 2012 jogo pela Krona/Joinville.

3)Como nós sabemos, você é pernambucano, e seu estado tem uma forte tradição em ser muito competitivo nas categorias de base (consegue aliar títulos e formação de atletas), você consegue nos explicar o motivo disso? R- Eu acho que Pernambuco é uma grande escola, lá se tem treinadores que tem uma excelente formação com as categorias de base. Juntando essa boa formação de treinadores para a base, com a vontade de crescer dos atletas, isso faz com que os jogadores se destaquem a nível nacional.

4)E por quê após o sub-20 Pernambuco não tem tanta expressão (apesar da equipe do Tigre ter feito boas campanhas nas últimas ´´Superligas´´)? R- Por ser muito forte na categoria de base, Pernambuco perde muitos jogadores novos para os times de mais investimentos, que se concentram entre o sul e sudeste do país. Isso acontece com muita frequência, os jogadores que realmente se destacam, saem cada vez mais cedo do seu estado para poder crescer, tanto financeiramente quanto profissionalmente. Infelizmente no estado de Pernambuco esse investimento para a categoria adulta é muito pouco, os salários são muito baixos e com isso os jogadores tem que ir embora do seu estado.

5)Você já foi treinado por grandes treinadores, podemos citar Ferretti, Perdigão e Marcos Sorato (Pipoca), consegue nos dizer o que eles tem em comum? E existe algo na forma de trabalhar de alguns deles que lhe chamou a atenção? R- No meu ponto de vista são treinadores que tem formas bem diferentes de trabalho. O Perdigão sempre trabalhou com jogadores mais novos, de pouca idade, mas sempre conseguiu fazer com que o seu time se destacasse a nível nacional. Pelo fato de sempre ter pouco investimento e jogadores jovens, sempre conseguiu explorar muito bem a pouca idade dos atletas, com suas formas de treino rápido e estilo de jogo veloz. O Ferreti já é um treinador onde sempre trabalhou em equipes de mais investimentos e consequentemente com jogadores experientes que sempre se destacaram a nível nacional. Pelo fato de ter nas mãos sempre os melhores, o Ferreti tem esse estilo de deixar o jogador escolher o melhor modo de jogar, de treinar, de saber a hora de driblar, de fazer um movimento, de passar. Não tem uma coisa automática, um movimento obrigatório, os jogadores sabem o jeito de jogar pela equipe que vai enfrentar. O Pipoca é um treinador que também sempre tem os melhores na mão, é o treinador da seleção, então vai ter sempre os melhores. Ele tem um estilo de treino bastante dinâmico, com muitos joguinhos, seus treinos só duram 30 min, mas ele consegue fazer com que o atleta nesse pouco tempo de o máximo e o treino tem um rendimento muito bom. São três excelentes treinadores que tive e tenho a oportunidade de trabalhar. Um treino que sempre me chamou a atenção e muitos jogadores não dão tanta importância é o treino de um toque. Já fiz esse trabalho com os três treinadores, mas o único que realmente falou para que serve esse treino foi o Ferreti, onde ele falou: que descobrir se você é um jogador de futsal? Coloca ele para treinar treino de um toque, que você vai descobrir.

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6)O que você acredita que num treino de futsal não pode faltar? R- Eu acho que finalização, é um ponto onde hoje em dia os jogadores estão com mais dificuldade. Não é aquele treino onde só fica chutando e chutando. É fazer as situações que acontecem no jogo, os goleiros estão cada vez maiores, melhores, com mais agilidade. Esta cada dia mais difícil fazer gol, quantas e quantas oportunidades aparecem no jogo e quantas são desperdiçadas. Eu acho que eu todo treino, colocaria um treino de finalização.

7)Você é um atleta muito confiante e transparece isso no seu dia a dia (treino, jogos, etc). Você acredita que isso é um traço da sua personalidade ou você foi durante a sua formação de atleta treinado para isso? R- Eu acho que Isso é um traço da minha personalidade, mas também adquiri isso com o tempo. Sempre fui uma pessoa onde procurei aprender e aprender a lhe dar com essas situações. Eu acho que para chegar a ter essa confiança, você tem que passar primeiro por situações de dificuldade. Tem que se acostumar sempre a estar sobre pressão, seja nas horas em que estiver no topo, ou na hora de recuperação.

8)Você já dividiu a quadra jogando com os maiores jogadores de futsal do mundo, seja jogando ao seu lado ou contra a sua equipe, existe algum ou alguns atletas que você admira e que em determinado momento da sua carreira você se espelhou? R- Graças a Deus já pude jogar do lado dos melhores e sempre tentei de alguma forma tirar proveito disso. Nosso país é muito rico com a bola no pé, cada jogador tem uma característica diferente e assim sempre procurei tirar o melhor de cada um deles. Um jeito de chutar, de driblar, de fazer gol, sempre procurei tirar o que eles tinham de melhor para o meu crescimento. Claro que tenho jogadores que realmente me encantam, o Falcão pelo fato de ser o melhor do mundo e sempre se destacar em decisões, é um cara que sempre gosto de ver jogar. O Valdin, pelo seu estilo de jogo, velocidade e inteligência é um cara que sempre me espelhei e me espelho. E tem outros que também posso falar, que é o caso do Neto, que na função dele é sem dúvida o melhor do mundo e o Lenísio, que se aposentou a pouco tempo, pela inteligência e a facilidade de colocar a bola para dentro. Esses são jogadores que realmente admiro e me espelho.

9)Você mesmo jovem, já vem acumulando alguns títulos e sendo valorizado pelo seu trabalho. Quais são os seus planos para o futuro no aspecto profissional? Acredita que disputará o mundial esse ano? R Quero procurar crescer cada vez mais, conquistar cada vez mais títulos para poder sempre ser um vencedor. No meu ponto de vista, um atleta profissional só é valorizado se ele for acostumado a ganhar, quando se ganha mais valorizado o atleta é. Daqui a alguns anos, penso em ir para a Europa, onde se tem hoje um investimento ainda maior que no Brasil. Em relação ao mundial, ainda não posso falar nada. Ainda faltam alguns meses e tem muita coisa para acontecer ainda, acho que o Pipoca vai convocar quem estiver bem, quem estiver fazendo a diferença no seu clube. A concorrência é grande, temos essa sorte aqui no Brasil, a qualidade dos jogadores é alta, mas vou procurar estar sempre bem em meu clube para poder chegar ao mundial.

10)É muito claro para todos, que a vida de atleta é muito curta, você vem se planejando para o futuro quando parar de jogar? Ou acredita que isso é uma realidade muito distante? R- Infelizmente a carreira de um atleta profissional é muito curta, mas, mesmo sabendo que ainda tenho no mínino uns dez anos de carreira, procuro investir sempre o meu dinheiro para no futuro conseguir ter uma vida estabilizada. Tenho vontade de voltar a estudar, mas infelizmente fica difícil conciliar a vida de atleta com a de estudante. Mas meu intuito, quando estiver encerrando minha carreira, é de voltar a estudar, me formar e ter uma vida profissional fora das quadras. Espero ter muitos anos ainda de carreira, para poder crescer cada vez mais financeiramente e profissionalmente.

 

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Contra-ataque: A ´´transição´´ para a vitória

 

Estudos realizados por  Silva & Costa (2004) e SIlva et al. (2005) mostraram que o contra-ataque é uma das fases do jogo  de futsal mais eficientes . Esses estudos compararam ações de ataque, contra-ataque e bolas paradas  em campeonatos brasileiros e mundiais das categorias de base (sub-15, sub-17 e sub-20).

Mas o que isso quer dizer???

Que essa fase do jogo foi responsável pelo maior numero de gols assinalados nas competições analisadas.

E pode se inferir sim (aqui com um percepção subjetiva, embasada em alguns estudos que comprovam esses fatos), que o maior numero de gols nos jogos de futsal acontecem em vantagens numericas (porém,  o contra-ataque não depende de vantagem numerica, mas sim de um desequilibrio da defesa adversária).

Então pode-se concluir que essa fase do jogo é a mais importante????

Acredito que não, o jogo de futsal é muito complexo para podermos hierarquizar fases dele.

Pois, para se contra-atacar é preciso ter uma defesa equilibrada e agressiva que vá desarmar e gerar possibilidades dessa transição ofensiva.

Para contra-atacar o ataque deve ser consistente e consciente para que propicie o menos possível essa situação para o adversário. Portanto, é impossível isolar as situações do jogo.

Agora é possível sim, condicionar sua equipe a ser eficiente nessa situação e em contrapartida também minimizar as problabilidades de tomar um gol nessa fase do jogo.

Você tem claro, ou os seus jogadores têm claro como eles devem se comportar nessa situação?

Treinar 2x1, 3x2 ou 4x3 não é suficiente para que condicione um time a decidir jogos nesse tipo de transição ofensiva. Esse tipo de treino  situacional (de estruturas funcionais) é aleatório demais para que algo se torne algo coletivo,  sistematizado!!

Além disso, para que o treino de contra-ataque seja efetivo é necessário uma pressão de tempo, seja a do relógio ou do próprio retorno do adversário (o que as equipes qualificadas obviamente realizam).

Quando se defende um contra-ataque  o goleiro atuará de que forma? O defensores fecham a ala, meio, sobem, descem????

É importante  elaborar princípios nos quais o treinador acredite serem fundamentais para que essa situação cumpra o objetivo dela, que é na pior das hipoteses finalizar ao gol adversário. E além disso, planejar exercícios que concretizem o que foi estabelecido.

E ai, quando se contra-ataca conduz a bola, ou passa a bola, ou depende?

Muitos treinadores acreditam que seja importante fixar o marcador adversário para que essa vantagem se torne ainda maior, mas e quando se joga contra uma defesa na qual o homem mais próximo da bola ´´estoura´´ o contra-ataque. O que fazer?

Outros treinadores acreditam que o passe em velocidade seja fundamental para o contra-ataque. Mas e se esse passe colocar a defesa em equilíbrio, impedindo que a vantagem numérica seja gerada, ou seja, uma possibilidade 3x2 se torna um 2x2.

Não sou defensor de verdades absolutas, mas a forma escolhida deve ser transferida para os atletas, para que o goleiro e defensores atuem todos pensando da mesma forma,  e que ao se ´´desenhar um contra-ataqe cada um saiba para onde ir, e que possibilidades de decisão possuem, o que naturalmente diminuirá as chances de dar errado.

Outro exemplo da importância dessa coletividade se chama Retorno defensivo.

AHHHH!!!!!!  Mas isso é simples, é só correr pra trás!!!!

De forma alguma! Correr só para trás não é suficiente, deve-se correr para trás com qualidade. Retornar por retornar ainda sim dá possibilidade do adversário concluir a situação. Agora correr de forma organizada, de forma coletiva,  sincronizando o retorno com a ´´temporização´´  (os espanhóis usam esse termo) dos defensores pode fazer muita diferença.

O contra-ataque pode sim, trazer muitas vitórias, mas contra-atacar requer além de correr, tomar as decisões certas,  dentro daquilo que foi estabelecido pelo modelo adotado….